
O que fazer para o seu CVC ter sucesso
Ontem foi publicado no Valor o artigo "Empresas reduzem investimento em startups" - , cujas conclusões me tocaram e eu não necessariamente concordo, com base no meu relacionamento com o ecossistema.
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Publicado originalmente em:
Primeiro ponto do estudo da Spectra Investments : "36% das empresas fizeram investimentos em 2024 e 2025, 36% não investiram nada desde 2023 e 28% sem aporte desde 2022." São números alarmantes, visíveis no ecossistema, finalmente traduzidos por pesquisa.
O segundo dado significativo vem da Sling Hub e ABCVC: " Em 2024, as corporações participaram de 97 rodadas e, em 2025, de apenas 48. Mas volume de US$ 2,12 bilhões em 2024 para US$ 2,06 bilhões em 2025."
Por último: "Ainda 69% dos investimentos tiveram parceria com fundos de venture capital (VC), e 31% foram feitos de forma independente, com um único investidor institucional."
Aprendi que contra fatos e dados não há argumentos e, nestes casos, representam também as minhas percepções do ecossistema.
O problema do artigo são algumas opiniões com as quais não concordo. A principal afirmativa que vários (sic) CVCs estão sendo eliminados, e a causa seria a migração das empresas para M&A (oi?).
Então vou deixar meus 2 centavos aqui. Não acredito que tenha havido má fé ou hype no volume de CVCs lançados em 2021-22. Naquele momento, eu liderava o Comitê de CVC da ABVCAP , e não me lembro de encontrar alguma empresa que não sabia o que estava fazendo, assim respeito todas.
Podemos usar duas óticas para analisar os números acima. Primeiro, do ponto de vista de quem deu errado ou está enfrentando problemas. Em todas as conversas que tive é o mesmo motivo: falta de resultado do CVC. A solução aqui passa pelo alinhamento claro com a Diretoria sobre como funciona o resultado esperado de um fundo (primeira metade de 5 anos negativa, segunda metade de 5 anos positiva). Isso não me pareceu uma prática comum.
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O universo do Corporate Venture Capital (CVC) é vasto e dinâmico, abrangendo uma gama diversificada de termos e conceitos que são cruciais para entender e navegar nesse campo.
Segundo: o que estão fazendo estas empresas que seguem com sucesso, realizando estes cheques maiores no ano passado. Tivemos 3 fundos ( Banco do Brasil, Vivo (Telefônica Brasil) e Itaú Unibanco )que cresceram o volume de capital comprometido em 70% e 150%. O que vejo nestes 3 casos? Todos têm FIP e, portanto, gestão profissional e todos têm equipes internas outstanding, não hesitaram em procurar experientes em VC ou CVC e de alto desempenhos para seus CVCs.
Também percebo que nestas empresas, e outras, como Mercado Livre , obtiveram sucessos acumulados nas integrações estratégicas startup-empresa, com mais destaque para alianças de vendas ou incorporação de tecnologias críticas, nos quais a Diretoria percebe resultado imediato.
Fechando os 2 centavos, para ter longevidade, algumas lições podem ser:
1) Deixar o resultado financeiro esperado claro para a Diretoria e Conselho
2) Investir em startups que sejam capazes de trazer resultado imediato
3) Gestão profissional (FIPs)
4) Equipes Outstanding
5) Tratar CVC como uma ferramenta de criação de futuro lucrativo
O CVC deve implementado com expectativa clara de resultados financeiros, seja através da venda dos ativos, seja através de integrações com as startups. Esta é a língua da Diretoria e do Conselho.
Texto original: Linkedin
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Sobre o autor
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