
Análise de Investimentos e Principais Resultados do CVC no 3º Trimestre
Após um período de ajustes, os indicadores sinalizam uma recuperação consistente na atividade de investimentos. Essa retomada é impulsionada pela maior maturidade dos investidores, que agora demonstram um foco mais acentuado em eficiência e resultados tangíveis.
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O mercado brasileiro de inovação apresentou sinais claros de recuperação no terceiro trimestre de 2025. O volume total investido em startups alcançou US$ 1,24 bilhão, representando um crescimento de 38% em relação ao trimestre anterior e de 36% na comparação anual. O número de rodadas também aumentou, totalizando 130 operações — uma alta de 19% frente ao período anterior —, indicando que o fluxo de capital voltou a se intensificar, ainda que de forma mais seletiva e estratégica.
O investimento corporativo manteve papel de destaque, respondendo por 10% do volume total investido e 9% das rodadas. O ticket médio das operações corporativas atingiu US$ 13,8 milhões, o que representa um expressivo crescimento de 68% em relação ao mesmo período de 2024. Esse movimento reforça o protagonismo das corporações na nova fase do venture capital, priorizando investimentos com potencial de integração, sinergia operacional e geração de valor estratégico para seus negócios.
Entre os principais destaques do trimestre, figuram as rodadas robustas em fintechs, construtechs e proptechs, com empresas como Creditas, Pravaler, Canopy, Starian e Omie liderando o ranking. No campo corporativo, Itaú, Bradesco, B3, PayPal, Grupo Globo e Prosus reafirmaram seu compromisso com a inovação, ampliando sua participação em rodadas voltadas à inteligência artificial e a setores estratégicos da economia digital.
O segmento de fusões e aquisições (M&A) registrou 34 operações — uma queda de 17% em relação ao trimestre anterior —, das quais 18% envolveram corporações. Apesar da redução no volume, o período foi marcado por movimentos de consolidação estratégica, como as aquisições de Conta Azul, Tecnobank e Shipay, realizadas por grupos como Stellantis, B3, Carrefour e Visma. Esses casos reforçam o papel do M&A como vetor de expansão e fortalecimento competitivo em um cenário de amadurecimento do ecossistema.
Edição anual 2025 do relatório Ecossistema de Inovação Aberta e CVC no Brasil
Já está no ar a edição anual 2025 do relatório Ecossistema de Inovação Aberta e CVC no Brasil, produzido pela Sling Hub e com apoio da ABCVC. O consolidado de 2025 registra US$ 4,5B investidos em startups brasileiras, em 459 rodadas. Dentro desse total, rodadas com participação corporativa somaram US$ 2,06B (46%), concentradas em 48 rodadas (10%) — sinal de alocação corporativa em menos operações e de maior ticket. Na comparação com 2024, a retração foi mais forte na atividade do que no volume: -22% em rodadas e -13% em volume, com 367 investidores em 2025.
Os dados do terceiro trimestre confirmam uma mudança de paradigma: o foco deixa de ser a quantidade de transações e passa a privilegiar qualidade, impacto e relevância estratégica. O aumento das rodadas voltadas à inteligência artificial e à transformação digital evidencia a convergência entre tecnologia e inovação aberta como principal motor de crescimento das corporações brasileiras.
📊 Texto originalmente publicado no Report ABCVC x Sling Hub.
Sobre o autor
Leo Monte é Presidente da ABCVC


