Itaú Ventures aposta em data center móvel para monetizar curtailment
24 de abril de 2026

Itaú Ventures aposta em data center móvel para monetizar curtailment

O Itaú Ventures liderou um investimento na startup Minter, que desenvolve data centers modulares instalados diretamente em parques de geração de energia para transformar excedentes energéticos em receita.

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A proposta da startup é simples e estratégica: aproveitar o chamado curtailment, quando parte da energia gerada precisa ser desperdiçada por excesso de oferta ou limitações da rede elétrica e direcionar essa energia para operações intensivas em processamento de dados, como mineração de Bitcoin e, futuramente, computação em nuvem.

Fundada em 2023, a Minter utiliza estruturas móveis em contêineres capazes de abrigar até 200 máquinas, permitindo instalação flexível próxima às usinas geradoras. Hoje, a empresa já opera uma planta em Xique-Xique, na Bahia, com capacidade de 20 MW, e pretende dobrar esse volume para 40 MW ainda em 2026, com meta ambiciosa de atingir 500 MW até 2029.

Segundo Stefano Sergole, CEO da companhia, o modelo permite “monetizar o que vai ser perdido no curtailment”, transformando uma dor operacional das geradoras em uma nova fonte de receita. A estratégia inicial está focada em empresas de mineração de Bitcoin, pela alta demanda energética contínua, mas a expansão para cloud computing já está no radar.

Embora o valor da rodada Série A não tenha sido divulgado, participaram também Grupo Leste, Legend Capital e investidores individuais. Historicamente, o Itaú Ventures realiza aportes entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões por operação.

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Além do capital, o objetivo do Itaú é aproximar a Minter de grandes geradoras de energia e acelerar a adoção dessa nova infraestrutura. O movimento reforça uma tese cada vez mais relevante: transformar energia desperdiçada em ativo financeiro e posicionar o Brasil como um player estratégico na interseção entre energia, infraestrutura digital e ativos computacionais.

A área de CVC do banco também pretende alocar mais R$ 200 milhões em até cinco novos projetos Série A ou B até julho de 2026, mostrando que o apetite por teses ligadas à infraestrutura crítica continua forte.

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